Motorizar cortina é decisão elétrica antes de ser decisão de decoração. Se o ponto de energia não existir no lugar certo, ou a solução fica aparente, ou ela fica limitada. Este artigo é o que pedir ao eletricista enquanto a parede ainda está aberta.

Onde exatamente deixar o ponto

Com cortineiro

Se o projeto tem cortineiro, o ponto vai dentro dele, e com dois cuidados: o mais para o canto possível, e o mais para dentro do ambiente possível — ou seja, afastado da parede, na face do cortineiro que dá para a sala.

O motivo é simples: assim o ponto fica escondido pela própria estrutura do cortineiro. Encostado na parede, ele tende a aparecer.

Sem cortineiro, com ponto no teto

Existe um segundo caminho, e nele a regra inverte. Quando não há cortineiro nenhum e a peça é fixada direto no teto, dá para deixar uma tubulação no forro para receber a fiação da motorização. Já executamos obra assim.

Nesse caso o ponto tem que ficar o mais próximo possível da parede — exatamente o contrário da orientação anterior. Sem cortineiro para esconder a fiação, quem esconde é a própria peça: colado na parede, o fio fica atrás da cortina ou da persiana e some. Afastado para dentro do ambiente, ele fica à mostra no teto.

Por isso a pergunta que o eletricista precisa ouvir antes de puxar o cano é uma só: vai ter cortineiro ou não? A resposta muda o lugar do ponto de um extremo ao outro.

Ponto direto, não tomada

Com tomada funciona, mas você perde flexibilidade — tanto na instalação quanto na integração com controle e com assistente de voz. O indicado é ponto direto.

Sobre voltagem, não há regra: 110 ou 220 depende da cidade. É só informar a correta no pedido e o motor vem preparado.

O erro que faz a cortina parar de funcionar

Quando não existe ponto, a saída improvisada costuma ser puxar energia de uma luminária ou da fiação de tomada do teto. Funciona — até alguém apagar a luz.

Se a alimentação vem da luminária, desligar o interruptor desliga a cortina. A peça fica sem energia junto com a lâmpada. Por isso o ideal é sempre um ponto com fiação separada, que não dependa de nenhum outro circuito.

Mesma lógica vale para persiana integrada na janela: o recomendado é ponto separado, também para evitar pico de energia no circuito compartilhado.

E quando a parede já está pronta

Aí entra o motor a bateria, que dispensa instalação elétrica. Ele resolve, com duas informações que valem antes da escolha.

Autonomia. Os fabricantes medem em torno de 500 ciclos por carga, mas esse número vem de teste em peça pequena, de 1 × 1 metro. Peso é o que consome bateria — numa cortina de sala, com o dobro da largura e muito mais pano, a autonomia real é menor. Na medição a gente estima a do seu vão.

Vida útil. A bateria se comporta como a de um celular: com o tempo e os ciclos, ela não para de funcionar, mas passa a descarregar mais rápido. A recarga é na tomada, com cabo, exatamente como um celular.

Existe também motor com carregador solar — um pequeno painel que fica voltado para o vidro e mantém a carga sozinho. Para quem não quer lidar com recarga, é uma boa saída, e a gente trabalha com esse modelo.

Hub: quando é necessário e quando não é

O hub — a Columbia chama de interface — é o dispositivo que liga as peças à rede, permitindo comando por aplicativo e por voz. Ele fica na tomada e consegue sincronizar até cerca de 30 peças, dependendo de quanta parede existe entre ele e os motores.

A regra prática: persiana motorizada precisa do hub; cortina motorizada não, porque nela a comunicação já vem integrada ao próprio motor.

Sobre os motores

A referência mundial é a Somfy, e a maioria das fábricas trabalha com ela. Hoje existem também motores próprios de cada fabricante — a Columbia tem o seu —, que entregam a mesma função a um investimento mais acessível. Qual entra no seu projeto depende do peso da peça, do tipo de acionamento e de como a casa já é automatizada.