Tem um conjunto de decisões de cortina que precisa acontecer antes do gesseiro fechar o forro. Depois que a sanca está pronta, mudar qualquer uma delas custa quebrar. Este artigo é a conversa que deveria acontecer na obra, e quase nunca acontece.

A largura interna do cortineiro

O número depende do modelo, e o mais pedido hoje é o Wave. O Wave tem cerca de 10 cm de volume de tecido — é a ondulação dele. Se houver um blackout ou forro atrás, some mais uns 4 cm. Dá 14 cm de pano.

Só que 14 cm não basta, porque as duas peças não podem se encostar. Se encostarem, ficam raspando uma na outra toda vez que a cortina abre. Por isso a recomendação é pelo menos 18 cm de largura interna.

Dá para fazer com menos? Dá. E aí elas raspam. É uma escolha, não um impedimento — mas é melhor saber antes.

A profundidade

A profundidade existe para esconder o trilho e o acabamento. Na prática, 20 a 25 cm resolvem. Tem quem faça 30, e 30 costuma ser mais do que o necessário. O número exato depende da construção, então vale conferir no projeto.

A fita de LED: o erro mais comum de todos

Aqui é onde a maioria dos cortineiros erra, e o erro só aparece depois de tudo pronto.

A ideia da fita de LED é iluminar a frente da cortina — fazer o tecido aparecer, criar aquele banho de luz descendo pelo pano. Quando o cortineiro é raso, a fita fica colada no trilho e a luz sobe em vez de descer na frente: ilumina o topo da cortina e o teto, e o efeito que se queria simplesmente não acontece.

Para a luz cair na frente do tecido, é preciso deixar em torno de 6 a 7 cm livres à frente do trilho. Somando: 4 cm de blackout, 10 cm de Wave e mais esses centímetros de folga, você chega naqueles 18 cm — e agora o número faz sentido.

Trilho ou varão: o cortineiro decide

Com cortineiro, o indicado é o trilho suíço — um perfil de correr simples, feito justamente para sumir dentro do gesso. Ele não tem acabamento bonito porque não precisa: ninguém vai vê-lo.

Sem cortineiro, a fixação fica aparente, e aí entra o varão suíço, que é outro produto — com acabamento pensado para ser visto. São coisas diferentes, com preços bem diferentes por metro. Decidir isso depois do gesso pronto é o que costuma sair caro.

E se a parede já fechou

Acontece, e não é o fim do projeto. Sem cortineiro, a cortina sobe até o teto com fixação aparente e varão, ou se resolve com um tubo discreto. Fica bonito, só é uma decisão diferente da que se tomaria com a obra aberta.

O que levar para a reunião de obra

Se o seu projeto ainda está em execução, essas são as perguntas para fazer antes do forro fechar: qual o modelo de cortina, se vai ter forro ou blackout atrás, se vai ter fita de LED, e se a fixação será no teto ou na parede. Com essas quatro respostas, o cortineiro nasce certo.

A gente entra nessa fase junto com o arquiteto sempre que dá — é o momento em que ainda existe escolha.